Governo fez desistências políticas na proposta de orçamento de Estado: PS terá em conta o interesse nacional mas não passa cheques em branco

| 19 de Outubro de 2011 | Notícias | |
O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, António Braga, acusou hoje o Governo de “desistências políticas assinaláveis” na sua proposta de Orçamento de Estado para 2012, à qual “falta rasgo, falta visão, falta ambição, falta um projecto para o país” e “falta Europa, falta toda a Europa”.

Na sua intervenção no plenário da Assembleia da República, o deputado começou por enunciar as desistências políticas do Governo, nomeadamente, perante a crise do euro com “medidas cuja prudência social e mesmo económica não ficam garantidas”, de submissão “às contabilidades sem alma” e uma “ausência gritante” ao nível das instituições europeias que “acrescenta imprevisibilidade” às consequências internas da crise, “alimenta todas as especulações a credores” e pode “gerar condições mais difíceis nesses lugares institucionais para resguardar os sacrifícios que a população portuguesa tem vindo a fazer”.

António Braga alertou para a inexistência por parte do Governo de políticas concertadas no âmbito das instituições europeias que podem “comprometer o esforço interno”, dando nota de “impreparação insuportável” ao ir muito para além do acordo com a Troika no anúncio das “medidas mais violentas de que há memória”, em contraponto com as iniciativas que o Secretário-geral do PS está a desenvolver esta semana junto dos socialistas europeus e personalidades prestigiadas de organismos europeus, no sentido de mobilizar essas instituições “para a necessidade e urgência na tomada de medidas como a criação da agência europeia de rating ou a taxação de transacções financeiras ou medidas para o crescimento”.

Recordando ainda que este orçamento é da exclusiva responsabilidade da maioria PSD/CDS, em que o PS não foi envolvido, quer na alteração do memorando com a Troika, quer na preparação das drásticas medidas agora propostas, António Braga sublinhou que “este orçamento responde a um Deficit que também é da responsabilidade do actual Governo”. Isto porque, referiu o deputado, “as contas são públicas e o INE certificou-as” e “nunca em Portugal uma transferência de poder foi feita com tanta transparência e tanto conhecimento dos assuntos em pendência”, uma vez que as finanças públicas e a natureza do deficit foram avaliadas por uma comissão externa e só não foi logo identificada porque o deficit da Madeira foi propositadamente ocultado.

O deputado reiterou ainda que o PS avaliará esta proposta de orçamento “tendo em conta o interesse nacional e não o interesse partidário”. “Somos aliados de Portugal e dos Portugueses no quadro duma nova visão solidária de desenvolvimento do espaço europeu. É com esse espírito que partimos para a sua discussão. Faremos propostas sérias. Saberemos apreender a seriedade do Governo na sua avaliação. Mas não passamos cheques em branco”, avisou António Braga.

Últimas notícias